quinta-feira, 14 de abril de 2016

um ano de blog... Obrigada!

Um ano de blog... obrigada a todos que se interessam!
सरस्वती नमस्तुभ्यं वरदे कामरूपिणी।
विद्यारम्भं करिष्यामि सिद्धिर्भवतु मे सदा॥
sarasvatī namastubhyaṁ varade kāmarūpiṇī |
vidyārambhaṁ kariṣyāmi siddhirbhavatu me sadā ||
Saudações a Ti, Ó Sarasvatī, que nos leva à essência, que preenche os desejos e que é a natureza daquilo que é desejado. Eu iniciarei o estudo deste conhecimento, que este estudo seja completado, com sucesso, por mim.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Últimas Aulas disponíveis para ouvir on line

Namaste!
A pedidos, estamos disponibilizando por duas semanas as aulas que foram gravadas:
‪#‎Ishvaradarshanam‬, o estudo sobre a Visão de Vedanta, que acontece às sextas-feiras no Yogabhumi - terceira aula, dia 08 de abril.
‪#‎Yoga‬ e a busca pela Felicidade, palestra realizada no Cantinho do Ser - Yoga, no sábado dia 09 de abril.
Que seja útil e que faça o bem!
Namaste! OM!

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

# ĪŚVARADARŚANAM – A VISÃO DE VEDĀNTA

     O professor começa o ensinamento com: īśā vāsyamidaṁ sarvam... Tudo o que está na nossa frente é permeado por aquele que governa, īśvara. Quando você olha para a página de um livro na sua frente, você vê as letras que compõem as palavras ou a folha que as sustenta? Ao ler o texto contido no livro, não nos damos conta de que a folha permeia o texto e, sem ela, nenhum livro seria possível. Da mesma forma, tudo o que está à frente de nós é sustentado por uma Ordem, que governa através de leis, a tudo permeando.
            O que está na nossa frente? Podemos dizer que o Universo está na nossa frente, com inúmeras galáxias e incontáveis planetas. Podemos dizer que a Terra está em frente de nós, com rios e mares, continentes e habitantes. Podemos dizer que a humanidade está em nossa frente, com pessoas próximas e distantes, conhecidas e desconhecidas. Podemos dizer que o nosso corpo está em frente de nós, pois estamos atentos às modificações do corpo, às dores, às sensações e percepções. Podemos dizer que nossa mente está na nossa frente, pois é na tela mental que os pensamentos e emoções se desenrolam antes de serem externalizados.
Assim, na nossa frente está um esquema de coisas, colocadas juntas inteligentemente e com uma dada função. Se juntarmos duas pernas, dois braços, um tronco e uma cabeça não fazemos um corpo. O corpo é formado por todas essas partes, mas as partes colocadas juntas não formam o corpo. Há algo a mais num corpo. Há certa inteligência que governa o funcionamento do corpo, regendo harmoniosamente todas as partes.
Ao nos darmos conta disso, podemos reconhecer que há uma Ordem. Há uma ordem que funciona através de leis físicas, biológicas, fisiológicas; há leis que regem todos os níveis que observarmos. Dessa forma, todas as partes compõem o todo; todas as partes são permeadas pelo todo. Porém, o Todo é mais do que o somatório das partes; é aquilo pelo qual todas as partes são sustentadas, governadas, e devido ao qual todas funcionam em conjunto.
Idaṁ sarvam é todo o universo de coisas, inteligentemente colocadas juntas com um propósito, e que está em frente de nós, mas que também nos inclui. E, essa Ordem, que a tudo governa através de leis que podem ser observadas, é īśvara. Portanto, ao olharmos para este todo que está na nossa frente, podemos apreciar a Ordem, a Realidade que a tudo sustenta. Ao apreciar a Realidade temos “a visão de īśvara”, īśvaradarśanam.
          Como podemos apreciar essa Realidade?
          Para nos ajudar a responder essa pergunta, vamos estudar alguns versos do capítulo V do texto chamado Durgā Saptaśatī, “700 versos sobre aquela que é difícil de ser alcançada”. É também chamado devīmāhātmyam (a grandiosidade daquela que é brilhante) e faz parte do corpo de conhecimento chamado purāṇa. Estima-se que foi escrito em sânscrito por volta de 400 – 600 DC pelo ṛṣi Mārkaṇḍeya. É um texto muito famoso em toda a Índia e descreve, simbolicamente, a vitória de Durgā sobre mahiṣāsura.

Neste trecho que será estudado, também chamado Tantroktam devīsūktam, encontramos a descrição de características que estão presente no coração de todos os seres e, pela qual poderemos apreciar a Ordem claramente expressa através delas.

Todos convidados para o estudo, durante seis sextas-feiras, no Yogabhumi, em Copacabana!
Maiores informações no link: Ishvaradarshanam - A visão de Vedanta

# YOGA E A BUSCA PELA FELICIDADE

O problema fundamental de todo ser humano é a não aceitação de si mesmo, porque não se conhece, em realidade, o que se é... Buscamos sempre algo diferente, entre pessoas, coisas ou situações, para estarmos satisfeitos conosco.
O coração, cerne, do ser humano é consciente de si mesmo, mas adquire certas identificações ao longo da vida. E, com as identificações centradas no senso de Eu, certos complexos surgem. Ao estabelecer uma identificação com as limitações, chego à conclusão de que tudo o que não tenho será sempre muito maior do que tudo o que posso possuir. Por isso, quando olho para mim mesmo, estou convencido de que “eu sou pequeno, eu sou insignificante”. E, por me ver pequeno e sem valor, “Eu não sou aceitável a mim mesmo”... Essas são conclusões que estão centradas no senso de eu.
Sendo um ser auto consciente e com um senso de eu, seja quem for, vai chegar a esse problema de que “eu sou pequeno e insignificante” e, por isso, não sou aceitável como sou... Porque não me aceito, tudo passa a ser desejado no intento de me fazer aceitável... mais força, mais poder, mais dinheiro, mais habilidades e capacidades, mais, mais, mais... e me torno uma pessoa que está sempre desejando, esperando, exigindo, demandando... Esse senso de pessoa que deseja é descoberto ainda na criança. E, devido a esse indivíduo constantemente “desejando”, não encontro paz e satisfação nem em mim mesmo nem com o mundo.
É dito no capítulo dois da Bhagavadgita: “Contudo, aquele cuja mente está centrada, movendo-se no mundo dos objetos com os órgãos dos sentidos sob seu controle, livre de gostos e aversões, atinge a tranquilidade. Para a pessoa cuja mente é tranquila, a destruição de toda dor e tristeza acontece. O conhecimento [da natureza do Eu] se torna, em pouco tempo, bem estabelecido para aquele cuja mente é tranquila. Para aquele que não é tranquilo, o conhecimento não existe. Também, para aquele que não é tranquilo, a contemplação não existe. Para aquele que não é contemplativo, a paz não existe. Para aquele que não tem paz, como pode haver felicidade?”.
Em síntese, com a mente agitada por ser uma pessoa que está sempre desejando, não encontramos paz, não nos sentimos “em casa” em nós mesmos. Quando estamos “em casa”, intimamente, experienciamos uma sensação de segurança e aceitação irrestritas. “Em casa”, podemos relaxar todas as nossas expectativas e cobranças; deixamos “de fora” as lutas diárias, e damos uma pausa nos esforços para mudar algo que gostaríamos que fosse diferente... “Em casa”, sabemos que, fundamentalmente, todos nos aceitam como somos e, esse relaxamento proveniente da aceitação nos faz despertar a paz que mora no coração de uma pessoa que, momentaneamente, não deseja nada diferente do que realmente é...
Quando o desejo por mudança cessa; quando aquietamos as agitações da mente; quando aceitamos a nós mesmos exatamente como somos aqui e agora, a paz se revela como um estado íntimo de plenitude, em que o indivíduo se vê completo, pleno, em si mesmo... E, o que é a felicidade que não este ‘estar em paz’, completo, em si mesmo, por si mesmo e consigo mesmo?
No capítulo sete da Chandogya Upanishad, o sábio Narada vai ao encontro do sábio Sanatkumara e descreve seu problema: “Estou sentindo muita tristeza. Por favor, me ajude a atravessar essa tristeza!”. O professor perguntou o que ele sabia e ele respondeu que tinha na memória os 4 vedas, os 6 vedangas (disciplinas acessórias como gramática etc.), várias outras disciplinas de conhecimento (como astrologia etc.); e foi listando tudo q ele estudou... “Sou o grande Narada, mas mesmo assim estou em grande tristeza!”.
O professor reconheceu o problema e disse que ele não possuía o único conhecimento que poderia tirá-lo dessa tristeza, que traria a aceitação de quem ele verdadeiramente é... Esse conhecimento é chamado de Bhuma-Vidya, o conhecimento daquilo que é livre de limitações... O que é livre de limitações, ilimitado? O sábio diz que Bhuma, o ilimitado, é em verdade sukham [ananda], a felicidade... As Upanishads afirmam que a felicidade é a realidade fundamental do indivíduo e do todo, e que por natureza é o estado de ser livre de limitações. Contudo, essa verdade, que mora no coração de todos, está coberta parcialmente por um véu de ignorância e, por isso, não conseguimos reconhecer.
            Com a mente calma e com os órgãos dos sentidos sob controle, livre da agitação dos desejos, o conhecimento da natureza fundamental do ser é possível de ser escutado e compreendido. E, para entender e lidar com essa mente, para disciplinar os órgãos dos sentidos, para discernir sobre as necessidades e desejos, ou seja, para se preparar para a aquisição desse conhecimento, uma vida de Yoga é o caminho.
Com uma vida de Yoga, ou seja, uma vida dedicada ao estudo e ao auto conhecimento, vou me desfazer das falsas conclusões centradas no senso de eu e, encontrar um Eu que é totalmente aceitável. Esse Eu aceitável é a fonte de toda experiência de satisfação, pois por natureza é a própria felicidade.

Convidamos a todos para a palestra no Cantinho do Ser, no Flamengo. Maiores informações: Yoga e a busca pela Felicidade

OM TAT SAT!